Bang!
Aquela vontade de me afogar em lábios, porque foi pra isso que nasci: pra me derreter toda vez que me beijam.
Mas não em qualquer lábio. Somente são merecedores do meu derretimento aqueles que me envolvem por completo, questão de olhar, pele, química, abraço, conversa… tamanha sintonia é para poucos.
Também tem aquela vontade de me apaixonar. De sentir tudo novo de novo, das borboletas no estômago, a palpitação na espera de que liguem logo no meu celular. Mãos dadas (porque sem dar as mãos não tem graça), clima ameno. Um olhar. Um risinho. Certamente, o olhar de um peixe morto deve ser uma das coisas mais empolgantes do mundo.
E aí a pessoa deixa sua marca por aqui, o que é muito bom. Troca é algo importante e pouca gente sabe disso.
Eu sei, sempre digo pra minhas amigas que isso é ilusão, que não acontece, mas sim, eu acredito nesse tipo de coisa. O tempo todo. No fim, é sempre conversa jogada fora em mesas de cafeterias. Porque se eu não acreditar, então pouca coisa terá valido a pena. Se não, terei me sentido vazia a vida toda. Logo, mesmo que eu quebre a cara e que isso canse, terá valido a pena por algum motivo.
Então, senhor próximo, tenho pensado em você, viu? Leve o tempo que levar, vai valer a pena.
(via fuckyeahkissing)

O bom é que em momentos como esse, eu que sou designer gráfica, saio e encontro rapidamente a seção áurea.
(e daí eu saio pra andar. o perigo mora nas minhas caminhadas.)
Faz um mês que eu cheguei aqui.
E eu me dei conta disso ontem à noite, quando às 23h30 decidi sair pra comprar um pacote de absorventes. Não que eu estivesse precisando desesperadamente deles, mas mais pelo simples conforto de tê-los à mão. Fiz isso inconscientemente. Só fui me tocar disso quando estava voltando pra casa… já faz um mês! :)
Neil Gaiman

Aqui dentro ainda reside uma menina de 17 anos. Ela gosta de um menino e, por vergonha/medo/confusão, prefere deixar estar do que se arriscar.

Andar sozinha pela minha cidade, no frio, ainda me soa bastante nostálgico. Me transporto no tempo, para os dias em que, aos 17 anos, ia fazer as minhas coisas a pé: ir para as aulas de inglês, voltar da casa da Julia, subir para o shopping pra ver alguma coisa no cinema.
Naquela época, enquanto eu caminhava, gostava de imaginar onde estaria dali a dez anos. Exatamente no dia de hoje, que é uma segunda-feira, eu teria ido a pé para o inglês, agasalhada contra o friozinho de dez anos atrás, que era bem mais forte que o de hoje.
Dez anos atrás, eu tinha certeza de que já teria visto pelo menos algum show do Foo Fighters. Não, eu (ainda) não os vi ao vivo.
Achava que seria jornalista, então prestei vestibular para esse curso. Me formei publicitária. Sou designer gráfica.
Aos 17, ninguém me entendia. Aos 27, quem me entende atualmente tem as mesmas dúvidas que eu, então tenho poucas respostas concretas.
Eu era apaixonada por um amigo meu e tinha certeza que em pouco tempo conseguiria ficar com ele, e pra sempre. Hoje ele está casado. Eventualmente, por diversão, gosto de pensar em como teria sido se tivesse dado certo.
Ainda não encontrei o amor da minha vida. Era pra estarmos morando juntos, considerando os meus planos de dez anos atrás.
Dez anos depois, eu não vi o Dave Grohl, mas fiquei alguns segundos cara a cara com o Iggy Pop. Dez anos depois, eu não me vejo fazendo outra coisa se não projetar formas, diagramar elementos, combinar cores e escolher a tipografia adequada. Dez anos depois, aprendi que less is more. Dez anos depois, ainda falo com o amigo por quem era apaixonada e a gente se impressiona com o rumo que a nossa vida levou. Dez anos depois, eu percebi que importante mesmo é treinar o desapego.
Dez anos depois, notei que continuo com muita bobagem na cabeça, mas pelo menos elas mudaram pra bobagens maduras. Sinal que, sim, obtive algum crescimento pessoal.
Que bom. Vejamos daqui a mais dez anos.